Saúde Ocular

Quando o lacrimejamento é, na verdade, sinal de olho seco.

Dr. Philipe Saraiva Cruz 5 min de leitura 08 Abr 2026
Macro de uma única gota d'água sobre superfície verde-sálvia fosca

"Doutor, meu olho não pode estar seco — ele vive cheio de lágrimas." Essa frase, ouvida com frequência no consultório, descreve um dos paradoxos mais interessantes da superfície ocular: o olho que lacrimeja porque está seco.

O mecanismo do paradoxo

A lágrima de qualidade é uma estrutura em camadas — aquosa, mucosa e lipídica — que se mantém estável entre as piscadas. Quando essa estrutura falha, a superfície ocular fica exposta e irritada. O organismo responde da única forma que conhece: um reflexo de lacrimejamento abundante.

O problema é que essa lágrima reflexa é essencialmente aquosa — sem a camada oleosa que a estabiliza. Ela transborda, escorre, mas não lubrifica. O olho continua desprotegido, e o ciclo recomeça.

Como suspeitar que é olho seco

O que mais pode causar lacrimejamento

Nem todo olho lacrimejante é olho seco. Obstruções das vias lacrimais, alterações da posição palpebral e a conjuntivocálase — o excesso de conjuntiva que interfere na distribuição da lágrima — também provocam lacrimejamento e exigem exame para o diagnóstico diferencial.

O caminho do diagnóstico

A avaliação inclui o exame da margem palpebral e das glândulas de Meibômio, testes de estabilidade do filme lacrimal e a inspeção das vias de drenagem. Identificada a causa, o tratamento deixa de "enxugar gelo" e passa a atacar o mecanismo real do problema.

Dr. Philipe Saraiva Cruz
Dr. Philipe Saraiva Cruz
Médico Oftalmologista · CRM-MG 69.870 · RQE 71.903 · Caratinga/MG

Conteúdo informativo. Não substitui consulta, diagnóstico ou tratamento médico. Em caso de sintomas, procure avaliação oftalmológica.

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